quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Os juros caíram... Prenderam o Cunha... Viva...!!! Viva?

Duas notícias movimentaram o mercado ontem e hoje: a curva de juros, e a prisão do Cunha (não sei qual era a mais esperada...)

Fatiando o boi em bifes, primeiro a curva de juros:

A curva de juros de curto e médio prazo está subindo em relação ao que se via dias atrás. É estranho, certo? Mas é mais óbvio do que se pensa e vou explicar: imaginemos que 50% das pessoas esperavam que a redução fosse de 0,25% e a outra metade esperava uma redução 0,50%. Fazendo a continha de padaria, temos uma valor esperado de 0,375% de redução na taxa SELIC. Certo?

Então. Se o valor esperado estava maior do que o valor real, alguém pagará a conta. Simples assim.

Agora, Eduardo Cunha.

Demorou, mas ele foi preso. Ótima notícia, não? A justiça enfim funciona... Agora vai...!!!

Estranhamente, o mercado parece não ter gostado muito. acredito que por receio dos efeitos que uma possível delação do Cunha poderia fazer na retomada econômica do País.

Honestamente, na minha opinião, existe o risco sim, mas eu vou um pouco mais: Cunha só conseguiu chegar onde chegou, e ter o que tem por que essas pessoas que "poderiam" ou “seriam” delatadas, o ajudaram e continuarão a ajudá-lo (ou até mais) caso ele não os delate. Conheço isso como rabo preso.

Enfim, a julgar pelo histórico das prisões envolvendo políticos no Brasil, em no máximo uns 2 ou 3 anos Cunha estará livre, e poderá recuperar o tempo que perdeu. Nesse tempo, quem você acha que vai ajudar o Cunha a se recuperar? É, penso a mesma coisa que você.
Tudo dependerá do quanto ele será prejudicado. Ação e reação. Quanto mais prejudicado, maior o poder da delação. Quanto menos prejudicado, amargo uma cela com TV, frigobar, visitas todo dia, mostro para o mundo que a justiça funciona, não delato ninguém, fevereiro vem o carnaval, e por aí vai.


Viva o carnaval...!!!

Autor: Alexandre Mendes Matias

Alexandre Mendes Matias é bacharel em administração de empresas, com pós-graduação em Economia (Business Economics) pela FGV-EESP, atuando como coordenador financeiro, com mais de 08 anos de experiência de mercado no ramo.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

COPOM não pode reduzir a SELIC em 19/10. Ahn?! EU TRUCO!!!

Conversando com um amigo meu, o Alexandre, profissional do mercado financeiro, uma figura que, assim como eu, é nascido em Franca, SP, e temos nossos “jargões” e gírias, ele deu uma deixa muito engraçada sobre a próxima reunião do COPOM, que achei muito bacana, e pedi que ele daquele jeito simples, desse a visão dele do que vai acontecer.

Compartilho com vocês este artigo bem bacana, em uma visão engraçada de um assunto tão complicado...

“-Talvez o que direi aqui não seja muita novidade, e acredito que de fato não seja, mas vou me atrever a comentar um pouco sobre a próxima reunião do Copom.

Dia 19 de Outubro já é amanhã, e, depois de 10 reuniões, finalmente a taxa SELIC deve sair do patamar de 14,25%. Eu e alguns amigos meus não chegamos a um consenso sobre a decisão do COPOM. Alguns dizem que "ainda acreditam que o Ilan Goldfajn não reduzirá a taxa de juros". Eu discordo, e tenho meus argumentos:

i) a inflação dos alimentos está em queda significativa;
ii) ii) Petrobras precificando a gasolina conforme indicadores de mercado (preço do barril de Petróleo, por exemplo), com isso, a inflação deve reduzir ainda mais iii) IPCA de 0,08% em Setembro;

Além destes dois pontos, não vejo mais espaço para que não seja reduzida a taxa Selic. É muita pressão. 

Pressão das empresas para diminuição do pesa da Selic em seus balanços, pressão da sociedade e principalmente, pressão do Governo Federal, onde o Sr. Henrique Meirelles até disse que a redução da taxa de juros é "altamente provável".

O Ilan tentar fazer o discurso de que o Banco Central é totalmente independente, blá, blá blá... pelo amor de Deus!!! Vocês ainda acreditam nessa lorota?!? 

Para ele não reduzir a taxa de juros ele terá que ter um argumento muito técnico e razoável (não me vem a cabeça nenhum... sério), caso contrário, meus amigos, esqueçam. Estamos perdidos.

Como em um bom jogo de truco, eu com a minha teoria e você com as suas, Ilan. Somos só eu e você. Estou com o sete copas e estou trucando você. Cole o zap na testa ou jogue suas cartas no monte.

Seeeeeeeis, só!!! Truco!!!

Alexandre Mendes Matias é bacharel em administração de empresas, com pós-graduação em Economia (Business Economics) pela FGV-EESP, atuando como coordenador financeiro, com mais de 08 anos de experiência de mercado no ramo.

domingo, 22 de novembro de 2015

O (a) Senhor (a) já foi atendido (a)?

Quem nunca foi ao McDonald's e falou a ordem que veio a mente e de repente viu o/a atendente te olhando com uma cara de que não entendeu nada, e perguntou seu pedido todo de novo, porém, na ordem que eles entendem? 
Por exemplo: "-Quero nuggets, uma Coca Cola de 500ml e um Cheddar". 
"-O Sr quer um Cheddar batata e bebida?" 
Dependendo o tanto de tempo que você já está na fila de espera, isso pode te irritar. Mas, eu tenho um exercício que faço comigo e que geralmente funciona: a culpa não é dele/a.
Quem nunca ao ligar em um call center, com um problema e mesmo falando com uma pessoa tem a sensação de que está falando com uma máquina?
"-Senhor, só um instante, senhor, que já estamos resolvendo seu problema, senhor...". Senhor, apenas confirmando, senhor, o senhor..."

Meu Deus!!!
Mas... a culpa não é dele/a.

Você com certeza quer saber então, de quem é a maldita culpa!
Pois bem... ela é de quem toma conta do negócio. Da liderança direta à quem dá treinamento, ao CEO, ao presidente e por aí vai. Como você pode ser o líder de um negócio, se sequer sabe como seus funcionários lidam com seus clientes? Melhor: como você pode ser o líder do negócio, se sequer paixão pelo que fazem seus funcionários tem (tudo bem que aí temos um pouco de culpa deles, mas muitas vezes, estas pessoas estão ali por não visualizarem nada além do que fazem, ou por quererem garantir apenas seus trocados no final do mês para pagar suas contas... culpa de quem?).
Certa vez, tive acesso a um texto, que era o discurso de Sam Walton, fundador do WAL MART, fazendo a abertura de um programa de treinamento para seus funcionários. Ao ler este discurso, eu jurei para mim que, toda vez que eu fosse mal atendido, ou que simplesmente eu não ficasse feliz com o atendimento, eu além de entender que não era culpa daquela pessoa (diretamente), a melhor forma de prejudicá-la seria não voltando lá mais.
Não que eu nunca mais volte ao McDonald's, e nem use mais um serviço de telemarketing na minha vida, mas... fico pensando como seria diferente a vida daquela pessoa que me atende, se ela soubesse o poder de encantamento que ela tem se usasse meia dúzia de palavras e atitudes fora da caixa em seu atendimento ao cliente, de forma a tornar aquilo o mais prazeroso possível, e uma experiência melhor para ela e para seu cliente. Vale também reforçar que, mesmo eu tendo gostado muito do discurso de Sam Walton, já fui muito mal atendido em alguns de seus hipermercados por aí.
Mas, antes de deixar o discurso dele na integra para que conheçam, vou contar um caso para que tirem as conclusões:
Havíamos sido transferidos de nossa cidade em Franca, SP para a capital. Eu e mais uns 300 amigos no trabalho. Não conhecíamos a cidade, não conhecíamos a redondeza e enfim, nada. Até que um dia, alguém comentou de um pequeno restaurante em uma avenida próxima, que dava para ir a pé. Era o único na região.
O restaurante lotava todos os dias, com fila esperando para sentarmos.
Existiam dois proprietários: um muito legal e brincalhão que ficava servindo bebidas e conferindo a pista do self service, e outro que ficava no caixa recebendo. 
Este era complicado. O mal humor em pessoa. Maltratou um em um dia, outro em outro dia, e isso começou a ganhar força nos corredores da empresa. 
Hoje, passamos na porta as vezes, e vemos o restaurante vazio, com meia dúzia de mesas ocupadas, e o resto, enfim... vazio.Resumindo isso tudo: não é porque você tem um scrip a seguir que você deve segui-lo. 
Ele pode ser sua orientação, porém, um bom dia, um boa tarde podem fazer muito a diferença. E, segundo: pessoas gostam de lidar com pessoas (na maioria das vezes). Se você depende de lidar com o público, se esforce para ser simpático e educado com seu cliente. 
Ele vai voltar.

Discurso de Sam Walton

"-Eu sou o homem que vai a um restaurante, senta-se à mesa e pacientemente espera, enquanto o garçom faz tudo, menos o meu pedido.
Eu sou o homem que vai a uma loja e espera calado, enquanto os vendedores terminam suas conversas particulares.
Eu sou o homem que entra num posto de gasolina e nunca toca a buzina, mas espera pacientemente que o empregado termine a leitura do seu jornal.
Eu sou o homem que, quando entra num estabelecimento comercial, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.
Eu sou o homem que entra num banco e aguarda tranquilamente que as recepcionistas e os caixas terminem de conversar com seus amigos, e espera.
Eu sou o homem que explica sua desesperada e imediata necessidade de uma peça, mas não reclama pacientemente enquanto os funcionários trocam idéias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.
Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas.
Engana-se.
Sabe quem eu sou?
EU SOU O CLIENTE QUE NUNCA MAIS VOLTA!
Divirto-me vendo milhões sendo gastos todos os anos em anúncios de toda ordem, para levar-me de novo à sua firma.
Quando fui lá, pela primeira vez, tudo o que deviam ter feito era apenas  a pequena gentileza, tão barata, de me enviar um pouco mais de CORTESIA".
"CLIENTES PODEM DEMITIR TODOS DE UMA EMPRESA, DO ALTO EXECUTIVO PARA BAIXO, SIMPLESMENTE GASTANDO SEU DINHEIRO EM ALGUM OUTRO LUGAR."

domingo, 8 de novembro de 2015

Sigam-nos!

Olá amigos do Negócio & Ação!

Estamos voltando às postagens em breve, com conteúdos bem legais.

Enquanto isso, temos agora outros meios que você pode seguir, ficando por dentro das nossas "mini postagens", ou recomendações de leitura, que são o Facebook e o Twitter do Negócio & Ação!

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Um abraço à todos!!

domingo, 25 de agosto de 2013

Faltam profissionais, ou sobram orgulho, arrogância e ilusão?


Estamos de volta. Depois de muito tempo, não?
Muitas mudanças aconteceram neste período, e sou franco em dizer que, em função delas, mal tive tempo para lembrar do blog.

Porém, estes dias, me deparei com uma situação do dia a dia que fez com que eu procurasse ler sobre, pesquisar e etc, pois eu não me conformava em ver aquilo acontecendo de forma tão escancarada, e até mesmo costumeira aos olhos de outras pessoas que não os meus: a falta de mão de obra de níveis iniciais de carreira, como estagiários, assistentes e analistas.
Achei interessante abordar este tema aqui no blog, e começar assim a reaproximação.
Eu venho de uma cidade do interior de São Paulo, Franca, e lá, você quando jovem, tem poucas alternativas, a exemplo de outras cidades do interior, mesmo que Franca não seja tão pequena assim. Lá, ou você se torna um operário do setor calçadista, ou, um auxiliar administrativo de um escritório de contabilidade ou da própria empresa de calçados mesmo. Cresci vendo as pessoas concorrerem vagas com unhas e dentes, por valores que nem são tão altos assim. Lembro do meu exemplo mesmo quando para corrigir o curso da minha carreira, abri mão do trabalho de vendedor para me tornar estagiário em um banco. Eu recebia por mês, pouco mais de R$ 600,00, tinha “n” dívidas para pagar, além da faculdade, e trabalhava com muita vontade, querendo ser efetivado e enfim, eu não era uma exceção. Conhecia muitas pessoas que agiam da mesma forma e que hoje estão também bem direcionadas em suas carreiras, acredito eu que em função desta postura.
Na faculdade de administração de empresas, eu ouvia que, nós éramos a ameaça para a geração que naquela época, entre 2001 à 2004, tinham seus 45 anos, 50 anos. De fato, concordo. Nós somos (ainda).
Mas, voltando a idéia do texto, e focando diretamente no exemplo que me fez então pesquisar, recentemente comecei a ver alguns jovens (me sinto velho falando assim) entrando no mercado de trabalho, em casos bem próximos a mim. Todos pertencentes à famosa geração Z, que eu sinceramente, nunca achei o máximo que acham e etc, mesmo que no blog já tenha havido de um grande amigo meu, uma postagem falando deles e etc.[1]
A sensação que tenho, sendo muito sincero, é que esta geração tem se preparado mais para a balada do que para suas carreiras, ou melhor, eles querem curtir a vida, porque a vaga de diretor, presidente, CEO de qualquer empresa é pequena para o sonho deles.
Nestas pesquisas que fiz, encontrei em um site, uma pesquisa feita em parceria entre a PwC e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) que diz que, “...Quase metade dos CEOs do Brasil (42%) afirmou que já deixou de aproveitar uma oportunidade de mercado ou precisou atrasar ou cancelar uma iniciativa estratégica porque a empresa não dispunha de talentos necessários para o empreendimento...” Ainda sobre o estudo, eles afirmam que, “...A redução nas taxas de crescimento populacional vem causando uma diminuição relativa no número de crianças e jovens, além do crescimento da proporção de adultos e idosos no país. As alterações vêm causando evasão de talentos no universo profissional...” Concordo, porém, em partes.[2]
A redução das taxas de crescimento populacional do Brasil ainda estão longe de ser o motivo de falta de profissionais, como seria por exemplo na Europa, onde o número de idosos de fato é considerável frente à de jovens.
Estou me sentindo velho afirmando o que vou afirmar agora, mas sob minha análise (daí fique a vontade de ter a sua também), é que, a escassez de profissionais no mercado se dá muito mais pela ausência de jovens com vontade e humildade para trabalhar, ralando desde o começo, do que de fato o aumento da faixa etária da população e etc.
Por fim, não concordei muito com a pesquisa feita, em função da minha experiência vivida recentemente, como já escrito.
Estagiários, assistentes e analistas que, selecionados em processos, assumem compromissos com a empresa contratante, marcam data de início, e sequer aparecem. Ou, começam, mal ficam seis meses, e saem da empresa não tendo sequer outro emprego definido. Trainees que mal ficam seis meses em uma atividade analítica ou operacional, e já pedem suas demissões, deixando entender que não é aquilo que eles buscam e sim uma gerência ou diretoria (mesmo que nunca tenham antes trabalhado em suas vidas).
São coisas que eu não via acontecer na minha época de estudante e de quem estava começando uma carreira profissional. Mas enfim, pode ser algo regional de São Paulo capital. Talvez excesso de oferta, não sei. Ou caretice minha.
Mas sou franco em dizer que, do jeito que vejo as coisas acontecendo, não acho que serei ameaçado pela geração que estiver saindo das faculdades quando eu tiver meus 45 ou 50 anos. Até lá, vou continuar meu ritmo, querendo ser todos os dias um dos melhores no que faço, e buscando aumentar meu conhecimento no seguimento.



[1] Geração Z. A nova geração. Blog Negócio & Ação, Geração Z. A nova geração., acessado em 25/08/2013: http://negocioeacao.blogspot.com.br/2010/04/geracao-z-nova-geracao.html
[2]Profissional mais velho não é solução para falta de talentos, diz estudo, site G1, 19/03/2013 13h33 - Atualizado em 19/03/2013 13h36, acessado em 25/08/2013:  http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/03/profissonais-mais-velhos-nao-sao-alternativa-para-escassez-de-talentos.html

domingo, 19 de junho de 2011

O anonimato em suprimentos pode ser sinônimo de sucesso. Pode?

Houve uma época, em que suprimentos eram conhecidos apenas como itens capazes de garantir a sobrevivência das tropas em uma guerra, como munições, alimentação, equipamentos e etc.


A partir do momento em que este termo começou a ser utilizado nas empresas, a conotação se tornou um pouco mais ampla, onde suprimentos passaram a ser itens responsáveis por manter o funcionamento das empresas, sejam elas comerciais ou produtivas (industrias).


Em ambos os conceitos (militar ou empresarial), suprimentos está ligado diretamente a logística, na realidade, sendo parte dela.


Não devemos classificar suprimentos somente itens como a matéria prima para produção, mas sim, todos os itens que garantem a operação, a entrega.


A tratativa de suprimentos relacionada a logística, e com uma visão digamos, mais focada em suprimentos como uma parte importante do processo, ocorre em empresas industriais, com linha de produção. Uma empresa industrial possui uma infinidade de SKU’s[1] (Stock Keeping Unit) que se fôssemos catalogar, com certeza não caberiam neste blog.


Embora minha experiência com suprimentos e compras tenha até hoje sido focada no varejo, suprimentos na indústria/produção é algo de uma complexidade que me atrai. Se pararmos para pensar um pouco, quando olhamos nossos carros, quantos parafusos estão visíveis aos nossos olhos, quantas peças como as folhas das portas, capôs e etc. conseguimos identificar? Fora o fato que, devemos considerar ainda aqueles itens não visíveis a olho nu como peças internas dos motores, suspensão e etc.


Recentemente, em função do terremoto/tsunami ocorridos no Japão, a Honda do Brasil foi obrigada a demitir uma série de colaboradores,[2] e a Toyota para a linha de produção, ambas, pelo mesmo motivo: falta de peças. Falta de suprimentos.


Em um artigo próprio, vamos entender melhor este processo de produção, onde um pedido de venda ao entrar na empresa, dispara uma seria de reações sistemas em PCP[3] e Logística, e que tornam o tema ainda mais interessante.


Hoje, vamos nos conter em comentar apenas aquilo que é mais fácil e próximo aos nossos olhos, e principalmente, conseguir entender que, o anonimato do time de suprimentos, em boa parte das vezes, é sinônimo de sucesso e de um bom trabalho.


Trazendo para um universo mais próximo, principalmente do meu, se imaginarmos que, em uma loja de varejo, ao comprarmos uma geladeira de aproximadamente R$ 2.000,00, se nós clientes, ao chegarmos no caixa para realizar o pagamento, não houver a bobina térmica no caixa, ou o formulário de nota fiscal, a venda não poderá ser finalizada, conseguimos entender um pouco mais a responsabilidade que a equipe de suprimentos tem.


Embora estejamos falando apenas de itens palpáveis como parafusos, porcas, chapas de metal, papel, e etc, suprimentos não são apenas estes itens. Suprimentos estão relacionados a uma gama quase que infinita de itens dentro da organização, que vão por exemplo, desde matérias primas para a fabricação de produtos, à equipamentos, peça para reposição destes equipamentos, informação, mão de obra, alimentos, e etc. A lista é grande.


Em algumas literaturas, suprimentos são apresentados na forma de um processo, o que é uma visão que me agrada, e que eu concordo plenamente.


De forma sintetizada, suprimentos se divide em:


Suprimentos > produção > distribuição.


Cada uma destas etapas podem ser subdivididas em diversas outras, com particularidades de cada seguimento de negócio, bem como com os formatos de gestão, particulares em cada empresa.


As subdivisões mais comuns vistas em suprimentos, nos casos onde as empresas tratam estes como uma área, são: transporte, compras e alimentação de linha de produção.


Infelizmente, os suprimentos ainda não possuem a importância que deveriam ter em empresas que não tem a produção como seu foco principal. Nestas empresas que tem um foco diferente do produtivo, suprimentos são vistos ainda como o vilão gerador de despesas, e não como parte do faturamento.


Já nas empresas industriais, ao falarmos de suprimentos, estamos falando de uma área, que é uma das áreas mais importantes da empresa, pois, através da visão ampla como dita anteriormente, suprimentos está em todo o processo produtivo da empresa, e são fatores importantíssimos na geração de resultados.


Por fim, a responsabilidade de suprimentos nas organizações é: comprar bem (qualidade e preço associados), entregar bem (follow up, lead time em consonância com os interesses da empresa e clientes), e gerar informação para que o processo produtivo esteja em linha com as necessidades do cliente.


[1] eLojas, O que é o SKU de um produto?, http://www.elojas.com.pt/artigos/o-que-e-o-sku-de-um-produto, acessado em 19/06/2011;


[2] Folha.com, Honda anuncia demissão de 400 funcionários em fábrica de SP, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/917640-honda-anuncia-demissao-de-400-funcionarios-em-fabrica-de-sp.shtml, acessado em 19/06/2011;


[3] Wikpédia, Planejamento e controle da produção, http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejamento_e_controle_da_produ%C3%A7%C3%A3o, acessado em 19/06/2011;

terça-feira, 15 de março de 2011

Equívocos nas Estratégias de Supply Chain

Depois de pesquisar sobre a estratégia em compras, em especial, estudando sobre a matriz de Kraljic, reforcei meus conceitos que compras e logística caminham de mãos dadas sim. Não há dúvidas.

Coincidentemente, conversando com um grande amigo meu logo após a divulgação do último artigo, o mesmo me confidenciou possuir um artigo muito interessante, sobre logística, mais especificamente sobre a gestão inter-organizacional na cadeia de suprimentos.


Como não poderia deixar de ser, fiz a ele o convite para que concedesse gentilmente seu artigo ao Negócio & Ação!, para que este pudesse se tornar de conhecimento de todos nós, apaixonados por administração, compras, negociações e logística.


Wagner Luis Borges, ou melhor, o “Borginho” como nós amigos o chamamos, é um profissional competente, e muito respeitado por todos nós na organização em que trabalhamos.


Possui graduação em Administração de Empresas pelo Centro Universitário de Franca (2003), pós-graduado pela FGV Management em Gestão empresarial com ênfase em logística (2005) e aluno ingresso do Mestrado em Engenharia de Produção na USP - São Carlos (2009) na linha de pesquisa de redes produtivas e logística integrada e seu projeto de defesa voltado a processos e gestão de produção. Foi gerente na área de planejamento e abastecimento em uma grande empresa de varejo, especialista em eletro e móveis, atuando 10 anos na gestão de reposição de produtos outbound na rede de lojas da empresa e com habilidades na gestão de indicadores de rupturas, giro de estoques, OTIF e vendas. Possui sólidos conhecimentos na gestão de estoques, integração de processos logísticos, gestão mercadológica, estratégias e métodos de previsão estatística e planejamento. Com participação em 4 projetos estratégicos na área logística e comercial, possui habilidades na execução e implantação de projetos e melhoria de processos. Também com experiência em gestão de projetos e conceituação teórica na área (PMBOOK), atualmente é gerente de projetos na mesma grande rede de varejo em que eu trabalho.


Espero que assim como eu, leiam o artigo, e absorvam o máximo do conhecimento possível.


Boa leitura!


Equívocos nas Estratégias de Supply Chain


Este artigo foi elaborado com intuito de explanarmos pontos importantes nos impactos estratégicos quando uma empresa não desenvolve ou não acerca-se de cuidados quando a questão é uma gestão inter-organizacional na cadeia de suprimentos, ou mais destacada ainda a importância de desenvolver “skills” voltados ao desenvolvimento dos “capabilities” internos das empresas para os “capabilities” externos.


Para uma breve discussão, é necessário voltarmos uma etapa antes, destacando o papel das organizações no ambiente em que interagem.(figura 1)



Figura 1 - Fonte: http://courseware.finntrack.eu/tutors/intro_to_business_eng.html


Deste momento, temos no desenho dos processos de transformação que acercam os variados tipos de negócios onde a entrada de insumos, a empregabilidade da energia transformadora em bens e serviços denominados processos produtivos e a oferta de um determinado produto ou serviços sejam coordenados para atendermos as expectativas de qualidade e ao atendimento à necessidade aos consumidores. Esse retrospecto já é de conhecimento de muitos administradores, CEO´s e estrategistas sua concepção teórica, porém na prática o que se observa em alguns casos é o descuido sobre o que representa este ambiente dirigido, que sofre muitas variáveis imprevistas, e que a comunicação e as estratégias conjuntas visam reduzir essas incertezas pois buscam na eficiência de interação dos ambientes transformá-lo em um único ambiente. É a partir daí que surge a lacuna entre as teorias da gestão da cadeia de suprimentos e a prática empregada.


É vasto o campo de conhecimento que se desenvolve dentro do âmbito organizacional desde a entrada dos insumos até os processos produtivos e entregas dos bens e serviços. Porém partiremos de uma constante neste ambiente, simulando que os mesmos já estão internamente adequados, possuindo um grau de maestria “status quo” estruturado, indicadores definidos e tecnologia empregada para a gestão eficiente.


A primeira impressão é que este ambiente conseguirá se sobressair antecipando possíveis problemas na gestão de sua cadeia de suprimentos, reduzindo “stock-out” por falhas de entrada nos insumos ou pelo planejamento de produção baseado em um DRP e “Forecasting” definidos, ou viabilizando entregas a custos roteirizados com seu nível OTIF ótimos. Realmente a primeira impressão é a que fica, porém dificilmente se sustenta, pois um fator de maior relevância passou despercebido que foi a estratégia de gestão ao longo do Supply Chain. É o desenho de interação que vemos em destaque na figura 2.


Para Cassivi, 2006 cada membro de uma cadeia de suprimentos é forçado a repensar a forma como se processam as relações com seus parceiros comerciais, especialmente entre os fornecedores e conseqüentemente as empresas devem inovar em termos de processos e relações a fim de permanecerem competitivas nas respectivas redes que atuam, e isso é refletido na prática passando despercebido no momento de definir a grade estratégica dessa cadeia de suprimentos.


Também é citado por Sheu at. al. (2006) que a colaboração da cadeia de suprimentos pode trazer vantagens competitivas poderosas para as organizações participantes. Indicam a contribuição das redes colaborativas na redução da logística de serviços relacionados com os custos. Vamos utilizar desta citação, para ilustrarmos uma empresa que detém um sistema de “forecasting” e previsão de demandas desenvolvido e estável, com controle de gestão dos estoques, “stock-out”, nível de serviço, estoque de segurança ajustados. A variável de fornecimento e entrega impacta diretamente na composição de ajustes destes indicadores. Os “lead times” e as variâncias nas quantidades entregues (OTIF despercebido) se não forem medidos, acompanhados e ajustados, impactaram os estoques de segurança e conseqüentemente os custos de supply chain. Por outro lado, se entendermos que apenas o “forecasting” será a solução para os problemas pode estar implícito outro “gap” de entendimento nos efeitos de ação/reação da cadeia de suprimentos, pois as empresas podem desenvolver modelos matemáticos de cálculos e previsão ou implantarem sistemas, mas na vertente em compartilhar esse nível de planejamento para um DRP inter-organizacional, essa infelizmente não acontece. O que fará um fornecedor que não detém uma dinâmica de antecipar seu PCP com base nas previsões de vendas de seu elo posterior? Com certeza ele irá equacionar essa “deficiência” desenvolvendo também seus modelos de previsão, porém nunca estará integrado com as estratégias da cadeia. Heikkila, 2002 sugere que para melhor desempenho pode ser conseguido através da consolidação dos clientes e fornecedores, eliminando etapas desnecessárias na cadeia de informações e acelerando assim o fluxo de materiais, e a criação de parcerias de longo prazo com grandes clientes e fornecedores podem potencializar as capacidades da cadeia.


Lockamy e Mccormack, 2004 evidenciam que cada vez mais, as empresas estão adotando gestão da cadeia de suprimentos para reduzir custos, aumentar a quota de mercado e vendas, e construir solidas relações, porém essa filosofia exige que as atividades estejam alinhadas entre as empresas, e harmonizada com questões organizacionais, estruturais, processos, cultura, incentivos e pessoas. Não parece ser uma tarefa fácil, mas já existem iniciativas bem sucedidas no mercado.


O desenvolvimento da colaboração segundo Sheu at. al. (2006), é uma tarefa desafiadora, pois existem várias dificuldades associadas a ela onde a colaboração é descrito em termos simplistas, tornando assim os benefícios potenciais fáceis de serem alcançados quando na verdade a relação é inversa. Um exemplo disso é o conflito entre os fornecedores e outros envolvidos.


Muckstadt et al. (2001) definem que o modelo de execução de um processo e de colaboração na cadeia de suprimentos enfatiza proximidade no nível de decisão dos cinco sistemas de negócios conforme mostrado na figura 3 , identificados para reduzir todos os pontos de conflitos existentes em termos de estratégias de negócios, execução e ajustes. Com base neste modelo, podemos entender que o ambiente de aplicação de um Supply Chain vai além de um “status quo” interno ajustado.


Seu sucesso dependerá de questões básicas, como a existência de processos internos às empresas bem estruturados e operacionalizados, bem como o estabelecimento de uma sólida relação entre as empresas parceiras descritos por Pires, 2004.


Figura 3 – Fonte: (Muckstadt, J.; Murray D.; Rappold, J. 2001)


Entretanto, ainda existem questões a serem superadas para que o desenvolvimento das colaborações da cadeia de suprimentos possa evoluir. Desmistificar que a relação comercial em relação ao fornecedor seja sustentada somente pela “quebra de braço” por preços e que no compartilhamento de informações antecipadas, definições de indicadores, desenho de estratégias conjuntas entre os atores levam realmente as vantagens competitivas, é o grande desafio para iniciar esse esforço.


Wagner Luis Borges


e-mail: waborges@terra.com.br


Twitter: @WagnerlBorges


Bibliografia


Cassivi, L. “Collaboration Planning in a Supply Chain.” Supply Chain Management - An International Journal 11 (2006): 249-258.


Heikkila, J. “From supply to demand chain management: efficiency and customer satisfaction.” Journal Of Operations Management 20 (2002): 747-767.


Lockamy, A., e K. Mccormack. “Linking SCOR planning practices to supply chain performance - An exploratory study.” International Journal of Operations \& Production Management 24 (2004): 1192-1218.


Muckstadt, J.; Murray D.; Rappold, J. “Guidelines for collaborative supply chain system design and operation.” Information Systems Frontiers 3 (2001): 427-453.


Pires, S. R. I. Gestão da Cadeia de Suprimentos – Conceitos, Estratégias, Práticas e Casos. São Paulo: Editora Atlas, 2004.


Sheu C.; Yen Hr.; Chae B. “Determinants of supplier-retailer collaboration: Evidence from an international study.” International Journal of Operations & Production Management 26 (2006): 24-49.


http://courseware.finntrack.eu/tutors/intro_to_business_eng.html


http://www.google.com

Modelo de Kraljic. Uma análise estratégica na gestão de fornecedores.

Dentre todo o processo do Strategic Source, a etapa que mais me chamou a atenção no meu "aprendizado com as consultorias" foi a matriz de Kraljic. Embora eu conheça seu conceito, não me sentia confortável para escrever sobre ela apenas com meu conhecimento prático.
Foi quando iniciei uma pesquisa na web, e conheci dois ótimos materiais sobre o tema, e que busquei fazer uma mistura do meu conhecimento adiquirido com a teoria que eu acabava de encontrar.
Desta forma, escreví este artigo, tentando trazer à vocês uma linguagem simples sobre o tema, e espero que consiga meu objetivo, que é trazer a estratégia da gestão do portfólio de compras para mais próximo do nosso mundo.
Para aqueles que queiram aprofundar mais no tema, no fim do artigo fiz a referência das fontes de pesquisa para que possam ampliar ainda mais seus conhecimentos.
A primeira descrição do modelo de Kraljic foi em um artigo sobre o gerenciamento das fontes de compra dentro de uma empresa, na “Havard Business Review” de Setembro-Outubro de 1983. A proposta deste modelo, é que ele seja utilizado em compras, para uma análise estratégica do portfólio de itens / mix produtos, convertendo a análise em vantagens estratégicas na gestão de seus fornecedores. O modelo, ou matriz de Kraljic, é baseada em duas linhas que classificam os itens de compra de uma empresa, sendo:[1]
  1. Impacto de lucro (impacto sobre o resultado financeiro): a importância de se buscar a compra visando a redução de seus custos via, por exemplo, poder de barganha – podemos chamar esta primeira linha como “dependências”;

  2. Risco de fornecimento (incerteza de oferta): a forma com que o mercado rege a oferta seja em demasia ou escassez, complexidade logística, monopólio e etc. – esta segunda linha pode ser chamada de “certezas”;

A matriz de Kraljic proporciona a visão estratégica de compras, diferenciando os produtos por tipos distintos. Seu objetivo principal nesta diferenciação, é otimizar a relação existente entre os custos e o risco. “A matriz cruza duas dimensões: impacto sobre o resultado financeiro e incerteza de oferta, gerando quatro quadrantes para a categorização de produtos”.[2]

A construção da matriz é feita através de um agrupamento lógico dos produtos do mix de compras, classificando-os conforme seu risco financeiro e a incerteza sobre sua oferta. Esta construção deve ser feita em conjunto pela área de compras, bem como pelas demais áreas envolvidas diretamente com a área de compras, no caso, seus clientes internos, pois, análises do esforço envolvido para compra, migração de um fornecedor para outro, logística, custos de aquisição, e etc, é o que definem a separação dos itens por quadrante da matriz, e obviamente os resultados a serem obtidos com esta pelo foco estratégico.
Uma vez definida de maneira conjunta, realizando a diferenciação, é possível se estabelecer de maneira otimizada a relação existente entre os custos e o risco, dando margem para que compras obtenha vantagens estratégicas na gestão de seus fornecedores.

Categorias de produtos

O modelo de Kraljic distingue-se entre quatro categorias de produto:

1. Itens de alavancagem

São produtos que representam uma grande participação no lucro da empresa (negócio de compras), e há vários fornecedores disponíveis, o que determina bom nível de qualidade. Nesta categoria, o comprador domina a relação, havendo um nível moderado de dependência entre as partes.

Nestes casos, o comprador estabelece contratos com fornecedores preferidos, tratando pedidos fora destes contratos, como uma eventual necessidade, porém, garantindo seu poder de barganha/preço em cada uma das situações.

2. Itens estratégicos

São itens de extrema dependência do comprador, geralmente caracterizados por escassez e dificuldades logísticas. A relação entre comprador e fornecedor é vista como crítica, já que se estabelece um nível elevado de dependência.

A saída para o comprador é o estabelecimento de negociações visando o longo prazo, com estabelecimento de parcerias, contratos longos de fornecimento e garantias de abastecimento, através de práticas como a utilização de contratos formais, estabelecimento de compromissos de ambas as partes, negociações com maiores prazos (preferencialmente 12 meses), inclusão do frete nas negociações com fornecedores (cotar CIF), apenas administrando as exceções, desenvolvimento de fornecedores em função do interesse para manter sua empresa (compras) em portfólio, compromisso com o nível de informação sobre custos, permitindo alavancar futuras negociações no curso do contrato, e a utilização de maiores volumes totais para alavancar os itens de baixo giro, são práticas que agem a favor de compras em uma situação de elevada dependência, minimizando o impacto negativo do baixo poder de barganha de compras.


3. Itens não críticos

São produtos de fácil compra, e que não impactam de maneira agressiva nos resultados de compras.Na relação comprador-vendedor, há um baixo nível de dependência;
Estrategicamente, não devem ser foco da área de compras, uma vez que não se deve gastar tempo, dinheiro e estratégica sobre estes itens. Porém, não devem ser perdidos de foco, se considerada a necessidade de abastecimento da cadeia de suprimentos. Maior exemplo disso, é o parafuso que custa centavos, e que nos últimos meses foram consumidas apenas cinco unidades em um universo de mil itens no mix, porém, se não houver este parafuso em estoque, a produção para, pois o maquinário estará desregulado. Ou, a bobina de PDV (ponto de venda) que também possui um valor unitário baixíssimo, e que, em sua falta, faz com que uma loja de uma determinada loja fique impedida de emitir seus cupons fiscais para a finalização de suas vendas.

4. Itens de estrangulamento

São aqueles itens que em geral só podem ser atendidos por um fornecedor, visando não ter problemas que gerem impactos negativos a compras e à empresa. A relação comprador-vendedor, é dominada pelo fornecedor, estabelecendo assim, um nível moderado de interdependência;

Estrategicamente, compras deve a princípio garantir em volume com o fornecedor, buscando neste intervalo, novos e potenciais fornecedores que possam lhe atender com mesma – ou melhor – logística e qualidade, minimizando assim, dentro do menor prazo possível, a dependência de compras com seus fornecedores.

Convertendo a matriz em uma visão estratégica de compras.


História do Modelo de Kraljic

Originalmente, o conceito foi criado por Markowitz em 1952, que usou como um instrumento para investimentos controlados. Kraljic em 1983 foi o primeiro a trazer este modelo para a análise do portfólio de compras.
Uso da matriz

1. Análise de compras de produtos;
2. Dar foco às compras para que se gaste tempo com produtos de maior relevância;
3. Outsourcing dos itens não-críticos e alavancagem;
Etapas de Kraljic. Processo

1. Prepare a análise do portfólio;
2. Determine critérios para o impacto de lucro e risco da fonte;
3. Decida o nível de detalhe do portfólio (Para apenas um setor? Para a empresa inteira? E etc.)
4. Preencha a matriz de Kraljic;
5. Analise e discuta os resultados com a equipe de compras;
6. Defina as compras de forma estratégica, visando a melhoria do portfólio por quadrante na matriz de Kraljic;
7. Transforme a estratégia em ações práticas, e com acompanhamento;

[1] Endereço internet, http://www.12manage.com/methods_kraljic_model_pt.html, acessado em 14/03/2011, 22h45;
[2] Endereço internet, http://www.scielo.br/pdf/gp/v14n1/14.pdf, acessado em 15/03/2011, 10h37;

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Multiplicando conhecimentos

Desde que criei o Negócio & Ação!, sempre deixei claro que o foco principal deste blog é a pulverização de conhecimento, e a troca de experiência sobre assuntos relacionados à compras, administração, marketing e negociação.
Pois bem. Como relatado em artigo anterior, hoje neste artigo vou buscar deixar o “strategic source” um pouco mais perto de vocês, trazendo as matrizes e um pouco da teoria que absorvi das consultorias do assunto com as quais já me relacionei.
Desta forma, vou buscar explicar de uma maneira mais sintática, o passo a passo da abertura de um processo de cotação, e quais as variáveis que influenciam na tomada de decisão no que diz respeito à parte técnica, ou seja, a história do zero ou um, aquela parte em que o relacionamento com os potenciais fornecedores não conta tanto assim.
Para que um processo destes possa ocorrer, compete ao negociador ter a visão clara dos seguintes pontos, extrair informações, e principalmente, saber interpretar os resultados alcançados. Os pontos em questão são:
Perfil das famílias
Ao trabalhar com uma determinada linha, o negociador deve literalmente, “dissecá-la”, buscando conhecer cada uma de suas especificidades, como por exemplo, quantificar, separar o mix em famílias, sub-famílias, grupos, subgrupos, descrição detalhada dos itens, quantidade consumida em determinado período, e também, qual a despesa cada um destes grupos gera no acumulado de um período, preferencialmente 12 meses, e quanto cada um destes representa percentualmente no acumulado das despesas ou linhas trabalhadas.
Neste momento, o negociador deve também encontrar informações particulares adicionais, que impactem no negócio, como por exemplo, se existe em algum item do mix, algum tipo de contrato formal; se os itens do mix possuem uma abertura de composição de custos; qual o número de fornecedores atuais para cada item; e qual o nível de detalhamento das especificações técnicas atualmente.
Tendo estas informações, o negociador está municiado a partir para o mercado fornecedor em busca de oportunidades.
Mercado fornecedor
Tendo em mãos as informações completas para o trabalho, o negociador deve trabalhar junto ao mercado, utilizando de sua carteira de potenciais fornecedores já conhecidos. Supondo que o negociador não possua ainda uma carteira de fornecedores potenciais, este poderá usar até mesmo de pesquisas em ferramentas na internet, ou, no que meu ponto de vista é mais indicado, utilizar de indicações de seu network, evitando assim, ou melhor, reduzindo as possibilidades de entrada dos “aventureiros” no processo de cotação.
Depois da análise da linha, realizada sua divisão e conhecimento, bem como a identificação de potenciais fornecedores, o negociador deve então começar a montar o quebra-cabeças, identificando pontos importantes na relação produto e fornecedor, como por exemplo:
a) Poder de barganha do fornecedor
Qual o nível de força e flexibilidade do mercado fornecedor? Existe alguma regulação dos preços dos itens? O preços são impactados por exemplo pelo dólar?
b) Ameaça de novos substitutos
Dos itens em questão, qual a ameaça aos atuais fornecedores quanto a concorrência “entrar”? Quais as ameaças estes novos entrantes trarão ao atual fornecedor?
c) Competição no mercado
Qual a intensidade da competição dos fornecedores em questão? Estes possuem algum tipo de regulação? Há novos e bons fornecedores no mercado?
d) Poder de barganha do comprador
O negociador/comprador, possui um tipo de produto e volume atrativo para médios e grandes distribuidores ou fabricantes?
Identificados estes pontos quanto ao mercado fornecedor, inicia-se então a elaboração da estratégia de compra.
Estratégias de compras
O sucesso da estratégia de compra/negociação, dentro das teorias as quais tive acesso, e que, confesso utilizar em meu dia a dia, é embasada em duas grandes variáveis, que podem ser direcionadas pelo negociador, de maneira correta. São as dependências e as certezas.
Mas, esta parte é onde quero dedicar se possível, um artigo especial, partindo então para o fechamento do processo, que entendo ser o portfólio de fornecedores e o resumo da situação atual, criando então os fatores comparativos, e os indicadores de performance do processo realizado.
Nos vemos em breve!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Aprendendo junto!

Olá leitores do Negócio & Ação!, há quanto tempo não era possível eu usar este canal para poder trocar idéias com vocês por aqui, trocar experiências e enfim, tentar trazer à vocês pelo menos um pouco daquilo que sei no que diz respeito às compras, negociações e etc.
Estive envolvido em alguns projetos na empresa onde trabalho durante os últimos 18 meses, e apenas agora estou voltando à minha “vida de antes”, ou seja, atuar diretamente em negociações. Mas isso é algo que quero compartilhar com vocês em outros artigos, contando um pouco de minha experiência na participação da implantação de um ERP, desde seu desenho, até a sua rolagem em produção.
Hoje, a idéia é mostrar a vocês o quanto estou feliz em notar que neste período em que estive ausente, o N&A! ultrapassou a casa dos cinco mil acessos, e principalmente, começou a gerar alguns contatos de profissionais de compras/negociação, querendo saber um pouco mais de meu trabalho, um pouco mais daquilo que gosto de fazer, e principalmente, buscando a troca de experiências.
Como eu já estava há algum tempo longe, e me senti extremamente motivado com os números de acesso, e os contatos recebidos, decidi tomar a liberdade de trazer aos leitores do N&A! dois destes questionamentos que foram feitos não muito recentemente – aliás, peço desculpas pelo atraso na resposta, mas compromissos profissionais me impediram de retornar à estes de forma mais prévia – e que achei de extrema relevância para pulverizarmos aqui o aprendizado no tema, mesmo porque eu mesmo me pego várias vezes buscando o significado de alguns termos, ou até mesmo, de algumas teorias que tangem as negociações.
Já comentei aqui no blog que certa vez, me vi ameaçado com a presença de consultores na empresa em que eu trabalhava, onde da hora que eu chegava à hora que eu saia, queriam saber preços, práticas de negócio, contatos em fornecedores e enfim, tudo o que envolvesse meu trabalho, visando gerar redução de despesas via o “tal do strategic sourcing”. Embora eu tivesse a certeza que nada de desonesto seria encontrado em meu trabalho, eu tinha a preocupação de que gerassem mais resultados que eu, e que assim meu cargo/função fossem colocados de lado na empresa.
Foram pelo menos 10 dias de intensa preocupação, até que percebi que a melhor saída era me juntar aos consultores, e entender como faziam seu trabalho. Pois bem, assim o fiz.
Comecei a dar a eles mais informações, e ao mesmo tempo receber mais. Por incrível que pareça, estava estabelecida uma relação de negócios entre os lados. Negociávamos entre nós por objetivos diferentes, mas, sem que houvesse danos à relação.
Para quem não conhece, um resumo bem simples do, trabalho destas consultorias é apurar volumetrias de consumo ou de gastos, valores pagos atualmente, os chamados “base lines”, e, utilizando de uma carteira de fornecedores ampla, eles buscam reduzir os valores gastos em uma estimativa de consumo de 12 meses por exemplo. Aquilo que reduzirem, cerca de 20% em média fica para a consultoria.
Não parece tão difícil assim. E não é.
À medida que fui observando-os trabalhar, pude aprender alguns pontos chave da negociação e percebi um detalhe adicional: eu tinha relacionamento com fornecedores, coisa que a consultoria não. Eu via nos potenciais fornecedores, parceiros. A consultoria, um número a ser alcançado.
Não para minha surpresa, após levar ao mercado alguns itens de nosso mix de serviços e produtos, o resultado gerado pela consultoria não chegou a ser tão significante assim na maioria dos casos, fora que, em outros itens do mix, sequer conseguiram alcançar os valores que tínhamos de base line.
Por fim, comecei a perceber que, ao utilizar das matrizes de composição de propostas de preço da consultoria, bem como sua metodologia de cotação (RFQ), e suas teorias de compras estratégicas (e não de oportunidade), eu poderia associá-las ao relacionamento com fornecedores, mantendo a visão de que todo fornecedor pode ser uma nova oportunidade de parceria e solutividade de problemas.
Conseqüência disso? Hoje, conduzo as negociações de prestações de serviços, e uso e consumo na empresa a qual trabalho, gerando resultados sucessivos sem a perda da qualidade, e principalmente, utilizando das matrizes e teorias que aprendi com as consultorias.
Parar? Não.
Percebo que existe ainda um campo farto de aprendizado neste seguimento do “strategic source”, e recomendo que, aquele que tem interesse, vise conciliar a exatidão dos números ao relacionamento com fornecedores, e a reciclagem constante sobre o tema.
Espero no próximo artigo, trazer a vocês um pouco destas matrizes e teorias que aprendi e utilizo, para fomentar ainda mais pelo Negócio & Ação! o surgimento de novos negociadores especializados no “strategic source”.
Assim, espero que, com o próximo artigo, eu possa responder então aos questionamentos dos nossos leitores/seguidores Arcelino Alves de Souza, e Doralice, e em contrapartida realizar a troca de um pouco mais de experiência com todos vocês!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu tenho sorte!!!

Dizem que os jovens podem errar, e que através destes erros, é que são construídos os grandes homens.
Quem nunca parou para pensar qual foi o seu grande erro até hoje?
Muitos com certeza, detentores de um perfeccionismo egocêntrico provavelmente nunca encontrarão esse seu erro, mas sim, algo que não deu certo em função de algum terceiro que tenha errado. E, cá entre nós, ele já está errando. Mas não vamos contar a ele, certo?
Eu com certeza já errei, e ainda vou errar muito. Dentre os erros que consigo ver hoje, o que mais me incomoda é o que eu classifico como erro bobo, e que por incrível que pareça, me gerou alguns benefícios.
Quando tinha meus 14 para 15 anos, decidi que não faria o chamado colegial (2º grau), mas sim, um curso técnico de contabilidade.
Meu Deus, onde eu estava com a cabeça? (!!!)
Foram 03 anos em que eu me arrependia a cada dia de ter tomado aquela decisão, principalmente quando eu entrava nas aulas de contabilidade geral, contabilidade bancária e por fim, contabilidade pública. Isso nunca foi minha praia. Se me perguntarem o que eu entendo desse tema, serei franco em lhes dizer que nada.
Formei-me como um técnico em contabilidade, ou seja, um contabilista em 1996. Nunca exerci. Cheguei a passar no vestibular da municipal em segunda chamada, na segunda opção e em que curso? Contabilidade. Obviamente, desisti.
Definitivamente, não era a minha praia de forma alguma.
Foi quando comecei a me perguntar por diversas vezes o que eu tinha feito, principalmente quando eu parava para pensar frente a uma prova de concurso que eu não fazia a mínima idéia do que eram algumas fórmulas, ou temas abordados, afinal, eu era um técnico em contabilidade que nunca tinha estudado aquilo.
Nessas horas é que batia o arrependimento, e eu começava a sonhar com a minha antiga paixão: fisioterapia. (Talvez pelo grande contato que tive com esse meio, tamanho o tanto de torções e fraturas que tive. Mas isso não vem ao caso.)
Nunca vi alguém de família humilde conseguir fazer um curso de tempo integral, tendo que colocar dinheiro em casa e estudar ao mesmo tempo.
Paralelo a isso, foi uma época meio complicada economicamente, mudanças na economia nacional, com plano real e etc., desemprego e eu, prestes a exercer o serviço militar não conseguia emprego.
Dizem que vendas é algo que a pessoa entra quando não tem opção. Pelo menos no meu caso foi verdade. Na falta do que fazer, precisando honrar com a ajuda em casa, decidi entrar para vendas e foi aí que tudo começou a se encaixar.
Você deve estar se perguntando do por que desta história toda em um blog chamado Negócio & Ação! Eu explico:
Podemos através de nossas atitudes mudar aquilo que talvez já esteja desenhado. Um amigo meu usa muito uma expressão que decidi inseri-la em meu dicionário: “sentar em cima do rabo e gemer”.
Vejo muitas reportagens, documentários e etc, onde marginais alegam que entraram no mundo dos crimes em função da falta de emprego, da falta de estudo e etc. Isso é o tal do “sentar em cima do rabo e gemer”.
Preciso voltar no texto, onde eu acabava de descobrir que tinha me formado em algo que eu não gostava, que eu estava desempregado, além do fato que o grande curso de meus sonhos era algo semelhante a uma utopia? Não. Melhor não.
Na nossa vida, seja ela no âmbito pessoal como no profissional, temos “n” caminhos a seguir. Isso é o chamado “livre arbítrio”. Tudo o que fazemos gera um turbilhão de conseqüências, e devemos estar prontos para assumi-las.
Certa vez, ouvi de um gerente de uma das lojas da rede a qual eu trabalho, quando ele dizia aos colaboradores de sua filial:
“-O resultado de suas vendas é o fruto de sua competência. O cliente vir a te a loja, é fruto da oportunidade que a empresa está lhe dando. Sorte, é 50% oportunidade, e 50% competência. Portanto, tenham sorte...”
Este discurso me chamou a atenção e conseguí de uma forma muito automática associá-lo a minha vida, seja quanto a coisas que vivi, como a coisas que estão acontecendo e aquilo que quero para mim, e meus futuros filhos ou família.
Por fim, você deve estar se perguntando o que eu resolvi de minha vida. Por que eu resolvi cursar administração, por que resolvi ser de negócios, de compras.
Simples: eu vivia uma situação indesejada, queria algo que não poderia ter naquele momento, mas enxerguei uma oportunidade no curso de administração, onde eu poderia trabalhar e estudar ao mesmo tempo, tendo a oportunidade de ampliar meus conhecimentos naquilo que tinha despertado em mim uma nova paixão: o mundo dos negócios.
Estudei por conta própria, livros de ciências, biologia, redação e mais alguns que eu não entendia nada. De 100 vagas na então FACEF, faculdade de ciências econômicas de Franca (autarquia municipal), eu passava em 98º lugar. Isso para mim foi o mesmo que te passado em 2º.
Este foi o estopim para que as coisas começassem a mudar a minha história, como em alguns casos já puderem ler em meus artigos. Convites do mercado, melhores propostas de trabalho, pós-graduação e etc.
Mudei de emprego, assumi riscos, cresci, apanhei e desenvolvi.
Tive sorte. E não quero que ela vá embora. Estou sempre buscando por ela, afinal no alto de meus 31 anos penso que ainda vão acontecer muitos problemas, muitas situações que me farão repensar em tudo de novo.
Porém, lembre-se: “-Sorte é 50% oportunidade, e 50% competência”.
Faça! Tenha coragem! Ouse! Busque o novo! Se ofereça!
Com certeza você verá que é mais difícil que “sentar em cima do rabo e gemer”, mas é muito mais gratificante.
Não escolha seu caminho.
Desenhe-o!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Geração Z. A nova geração.

Olá leitores do Negócio & Ação!

Hoje, mantendo a série de “artigos terceirizados”, tenho o prazer de trazer à vocês o artigo de um profissional da área de tecnologia da informação que tive o grande prazer de dividir a sala de aula com ele durante três anos dos quatro em que estudei na faculdade de administração de empresas.

Diga-se de passagem, uma das poucas amizades verdadeiras que mantive daquela época, e que, aliás, hoje me orgulho de chamar de meu irmão não biológico.

Eliezer Pimentel (@eliezerpimentel) é o exemplo de pessoa que de maneira igual a muitos outros, enfrentou diversos desafios, tendo inúmeros motivos para ou desistir, ou seguir caminhos não muito interessantes. Contrário a isso, lutou contra tudo e contra todos, sendo hoje diretor de uma grande empresa de desenvolvimento de softwares na cidade de Franca, a Plano Bê; que aliás é hoje uma empresa competitiva no seguimento de softwares para POS e outras modalidades de pagamento. Recomendo, aliás, que visitem e conheçam sua empresa pelo
http://www.planobe.com.br

Enfim, Eliezer escreveu o artigo abaixo sobre um tema que me interesso muito: tecnologia. Neste artigo ele nos trás um tema novo, a chamada geração Z. Muito interessante, principalmente se pensarmos que é desta geração que sairão os novos profissionais de um futuro bem próximo.

Tenham uma ótima leitura!
Geração Z. Quem são?

Revivendo parte da infância

Interessei-me por tecnologia ainda muito jovem, por volta de meus 12 anos de idade, enquanto ainda fazia bico como empacotador em um supermercado próximo à casa de meus pais em uma cidade do interior paulista (Ituverava). Estávamos ainda na década de 80 e pouco se ouvia falar em computadores, menos ainda sobre tecnologias, pelo menos no meio em que eu era inserido e na cidade onde vivia. Devido à circunstâncias da vida, a época, enquanto meu pai cruzava as estradas do Brasil conduzindo um caminhão de norte a sul do país, minha mãe batalhava para complementar a renda da família executando tarefas domésticas que algumas mães dispensavam, como lavar roupas, passar roupas e fazer faxinas.

Meu hobby preferido era fazer recortes e colagens de partes de máquinas eletrônicas contidas nas folhas de jornais da Folha de São Paulo, de um caderno chamado Folha Informática, distribuído toda quarta-feira, e que usávamos como embrulho de mercadorias no pacote do supermercado onde fazia meus bicos aos sábados para ajudar a família, já que nos dias de semana atuava como verdureiro.

Mesmo sem saber o que todas aquelas máquinas eram ou sem ter muita noção se eram computadores "possantes" ou não, eu tinha apenas uma única certeza: "De que o mundo e as pessoas seriam transformados pela evolução daqueles computadores, mais cedo ou mais tarde". E claro, queria muito fazer parte disto.

A Tecnologia avança rápido, mais do que imaginamos!

As últimas três décadas foram decididamente marcadas pelo rápido avanço tecnológico, em tudo, em todas as áreas que se possa imaginar, mas como meu negócio são computadores, softwares e internet, vou me limitar a escrever somente daquilo que tenho vivido nos últimos anos de experiências.

Algumas décadas atrás, um tal de Gordon E. Moore (presidente da Intel em 1965) soltou uma previsão de que o poder do processamento dos computadores iriam dobrar a cada 18 meses, e que seus custos cairiam inversamente proporcional de uma forma que a cada um ano e meio teríamos máquinas mais velozes e mais poderosas capazes de fazer coisas inimagináveis e cada vez mais baratas. Fantástico! A própria Intel tem provado desta, digamos, "profecia", da Lei de Moore.

O que dizer sobre a velocidade com que a Internet cresceu no mundo inteiro, (nos últimos 20 anos), permitindo com que redes, empresas, instituições e pessoas pudessem se conectar, trocar informações de forma tão veloz nunca antes na história da humanidade concebida?

O rápido avanço do poder de processamento das máquinas, a popularização da internet e a queda nos custos de equipamentos e serviços deram início a uma das mais fantásticas e fabulosas transformações sociais já vividas na era moderna, e mais, em um curtíssimo espaço de tempo, quase que insignificante se comparado com os períodos passados de evolução social.

Os últimos 30 anos tem sido o marco da passagem da era industrial para a era do conhecimento e da tecnologia, não há do que duvidar disso, mas ainda há mais um fator que eu acrescento nessa história toda, "A evolução do comportamento humano", motivada pela evolução da tecnologia.

Vamos a alguns números:

- Atualmente são mais de 40 milhões de Internautas no Brasil;
- Mais de um bilhão no mundo todo;
- 81% dos estudantes possuem pelo menos uma conta de e-mail;
- 75% possuem alguma conta de Instant Message (msn, skype, gtalk, etc);
- 71% dos adolescentes no Brasil têm um aparelho de celular;
- 97% acreditam que a tecnologia é importante para educação;

Os números acima foram extraídos de pesquisa de 2009, acredito que esses números foram ultrapassados pelo menos na casa de 30%, tranquilamente. Agora vejamos, nunca antes na história da humanidade, as pessoas tiveram em suas mãos tanto poder. Sim, informação é poder sim. Nunca na história da sociedade as pessoas estiveram tão conectadas, tão "ligadas". Esse rápido crescimento tecnológico que transforma essa nova geração de sociedade tecnológica influência negócios, influencia modo de vida, enfim, influencia e muda tudo aquilo que conhecemos e sabemos até agora, pois uma nova geração está surgindo, numa velocidade aluscinante. Para se ter uma idéia de como estamos evoluindo em tecnologia e sendo transformados por ela, aqui mesmo no Brasil, um levantamento recente (em 2009), mostrou que nós brasileiros podemos contar com aproximadamente 2.000 salas de cinemas, 2.600 boas livrarias e pasmem, 120.000 lan-houses.

Comportamento de uma nova geração

A nova sociedade, influenciada pela tecnologia, desenvolveu hábitos e comportamentos que têm mudado o contexto na forma de se fazer jornalismo, no modo como se ouve música, como se vê televisão, no modo como se faz política, na maneira com que se faz amizades, com que se tem um relacionamento amoroso, em como se lê um livro ou no modo com que se faz compras.

Como exemplo, gosto de citar o que está acontecendo com a venda de jornais impressos e revistas. O Jornal Folha de São Paulo, que antes tinha uma circulação diária de 440 mil exemplares de seu jornal, atualmente conta com apenas 307 mil exemplares circulando diariamente. A venda de CD's e DVD's despencou dos 94 para 37 milhões de unidades ao ano. E não é só isso, se fizermos uma análise superficial, podemos identificar mudanças no comportamento humano nunca antes observados.

Até pouco tempo atrás, comprar um refrigerador era uma tarefa um tanto cansativa. Visita a várias lojas fazendo cotações, negociando com vários vendedores até que se encontrasse o melhor preço com as melhores condições somado ao menor prazo de entrega. Ou simplesmente se ia à primeira loja de departamentos, e fechava-se uma negociação, sem antes realizar nenhuma pesquisa de preços.

Um site chamado Buscapé (
www.buscape.com.br), por sinal brasileiro e vendido recentemente por US$ 342 milhões, mudou a forma com que se faz pesquisa de preços e na maneira das pessoas saírem às compras de produtos. Também é possível comprar quase de tudo pelo site Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br).

O site de relacionamentos Orkut, da gigante Google, mudou a forma com que pessoas se relacionam, trocam informações, se correspondem, namorem. Os programas de comunicação de mensagens instantâneas, como o MSN e o Skype, foram grandes responsáveis pelo encurtamento das distâncias, pelos novos namoros, amizades, e porque não citar, traições.

O fenômeno Twitter que permite com que as pessoas contem ao mundo o que estão fazendo, virou uma grande sensação e uma grande ferramenta onde as pessoas, na grande maioria jovens, façam campanhas, protestos e divulgações. Exemplo disso a campanha presidencial de Obama nos EUA, e o movimento "Fora Sarney", que repercutiu internacionalmente.

Em São Francisco, nos EUA, é muito comum nos depararmos com moradores de rua usando notebooks, acessando o orkut ou o Facebook, trocando informações sobre o melhor lugar para se dormir a noite, ou sobre onde comer no dia seguinte, em qual abrigo ficar, ou ainda, enviar um email para seus familiares. A cidade de São Francisco tem internet grátis espalhada pela cidade inteira, dando acesso ilimitado a informação a qualquer morador, de rua ou não.

Geração Z

A rápida evolução da tecnologia tem dado abertura ao surgimento de uma nova geração de pessoas, seres humanos com capacidades acima do comum, se é que entendemos alguma coisa do que é comum hoje em dia.

Observam-se os jovens, crianças e adolescentes dos dias atuais, que nasceram e estão crescendo cercados de tecnologia, com iPdos, MSN, Orkut, Facebook, Google, Youtube, etc. Uma geração mais informada, mais consciente, mais detalhista e mais competitiva.

As crianças e jovens dos dias atuais vão transformar o modo de se tomar decisões em breve, vão influenciar a maneira como se administra uma organização, a forma de se fazer política, de como se aprender.

Apenas como ilustração, gosto de citar meu filho, de 10 anos de idade, desde muito pequeno, teve acesso ao computador, internet, games, entre outras parafernálias tecnológicas que gosto de ter em casa. Aos 10 anos, ele toma decisões sobre qual jogo quer jogar, música ouvir, filme a assistir, e assim, de forma natural, sem muita dificuldade, encontra na internet o que quer, faz o download, se precisar gravar em um DVD, toma a providência e pronto.

Com a mesma facilidade, o garoto com 10 anos, não se prende mais aos programas ao vivo na TV, e não dá bola se perde esse ou aquele seriado ou programa esportivo que tanto gosta, pois lá na Internet, está disponível para ele assistir quando e como quiser. Também não se prende somente aos livros adotados pela escola onde estuda, pois com uma ajudinha do Google e da Wikipédia e até mesmo com alguns vídeos no Youtube, pode aprender de uma forma diferente, pois tem nas mãos um poder que nunca imaginei ter aos 10 anos de idade.

E por falar em vídeo no Youtube, pode-se assistir um vídeo sobre a geração Z, basta clicar nesse link:
http://www.youtube.com/watch?v=74w0xeG9V8s e também neste link: http://www.youtube.com/watch?v=aAErx0d5yh0

Poderia discorrer páginas e páginas sobre o assunto, sobre Geração Z e sobre as próximas que virão. Escrevi um artigo relacionado ao assunto, um tanto mais complexo porém, que pode ser link neste link:
http://www.alemdecodigos.com/2009/07/singularidade-ficcao-nao-realidade.html .
O assunto pode ser para muitos, um tanto exagerado, mas para outros, que têm a percepção das mudanças e acontecimentos, irão concordar com minha opinião, a de que as pessoas estão mudando, estão se comportando de forma diferente, e a responsabilidade disso? DA TECNOLOGIA.